domingo, 21 de março de 2010

FLORESTAS


Que guardam as florestas pela noite?
Duendes, adivinhos, virgens loucas.
Repousos animais, leves respirações.
Olhares que só no escuro
se perdem da cegueira.
Molezas e frescuras vegetais.
Trabalhos lentos, exactos,
de operários incansáveis.
Cumprida a noite, as florestas
preparam as vestes matinais.

Com os cuidados de mulheres antigas,
com véus de névoa encobrem a nudez.
E, quando o novo dia as visitar,
estarão serenas, hirtas,
cobertas dos seus verdes radicais.
Duendes, adivinhos, virgens loucas
são agora invisíveis, impalpáveis.
Tornam-se seivas, agulhas, frutos altos.
Obedecem ao vento. São reais.

Poema: Licínia Quitério
Foto: Angélica Oliveira

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