Tenho fome da tua boca,
de tua voz, da tua pele,
E pelas ruas vou calado,
Não me sustenta o pão,
a aurora me desequilibra,
Busco o som líquido
dos seus pés no dia.
Estou faminto
de teu riso maroto,
Tenho fome do calor
de tuas mãos,
Quero comer
o raio queimado da tua beleza,
O nariz soberano
do teu misterioso rosto,
Quero comer
a sombra fugaz de tuas palavras.
E faminto venho
e vou “olfateando” o crepúsculo,
Buscando-te...
o teu coração ardente,
Até que o sol torre a tua pele.
Para que possamos continuar vivendo...
Sempre eu, sempre tu, sempre nós.
Alessandro Medeiros
Imagem: autor desconhecido


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